segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Rotas Sefarditas - Parte II



Vila Flor na Rota do Judaísmo

 (Trás-os-Montes)




A antiga judiaria de Vila Flor (Trás-os-Montes), situa-se entre a Rua Nova e a Travessa da Rua Nova, muito próximo do "Arco de D.Dinis". Nesta pequena área habitacional, os judeus desenvolveram as suas artes e ofícios, como o comércio, os curtumes e a ourivesaria.


A comuna hebraica já estaria presente nesta povoação desde o século XIII.



Fontes:

Blog Por Terras de Sefarad de Carlos Baptista

Fotos e Vídeo:

Rafael Baptista

Artigo colocado por Manuela Videira

Rotas Sefarditas - Parte I



Trancoso na Rota do Judaísmo!



Na nossa mais recente viagem levada a cabo "Por Terras de Sefarad", a cidade de Trancoso na Beira Interior Norte, foi a primeira das localidades selecionadas a receber a nossa visita, direcionando o objectivo principal para a sua antiga judiaria, para as marcas cruciformes gravadas um pouco por toda a área habitacional da mesma, o Poço do Mestre e a famosa Casa do Gato Preto, (simbolizando o Leão de Judah esculpido em alto revelo na fachada do edifício), bem como o novíssimo Centro de Interpretação Isaac Cardoso.



Fontes:
Por Terras de Sefarad de Carlos Baptista

Fotografias de:
Rafael Baptista e Manuela Videira

Vídeo de:
Rafael Baptista

Artigo colocado por Manuela Videira

domingo, 5 de janeiro de 2014

Receita de Chalá - מתכון לחלה




A Chalá חלה (plural Chalot חלות) é um pão entrançado, que se produz em geral na sexta-feira, para a celebração do Shabbat e dias santos; é também usada para consumo nas refeições de sexta-feira à noite, o almoço de Shabbat e o Jantar, após a Havdalá, quando se voltam a acender as velas nesse dia, e isto por não se poder cozinhar no dia de Shabbat.



Abaixo está a receita e os respectivos ingredientes necessários, bem como o vídeo que vos ajudará a ver todo o processo.


Ingredientes da Massa

8 copos de farinha de trigo,
2 pacotes de fermento de padeiro de 60g cada,...
1 ovo,
1/2 copo de óleo de girassol ou margarina de culinária,
1 colher (de chá) de sal,
1 copo de açúcar,

2 copos de água morna.


Preparação da Chalá

Dissolver o fermento em água morna, adicionar o açúcar, sal e a metade da farinha. Misturar bem e adicionar o ovo, o óleo ou margarina vegetal se preferir e o restante da farinha a pouco e pouco. (Antes da massa ficar espessa, pode-se misturar com a batedeira.)

Ponha a massa sobre uma superfície polvilhada de farinha e trabalhe-a massa por uns 10 minutos. Só adicionar a farinha se necessário para trabalhar a massa para que não fique pegajosa. Deve trabalhar a massa até ela ficar "elástica."

Por fim deve por a massa em uma bacia grande, untada com a margarina. Vire-a para que a parte de cima também seja untada. Cubra com uma toalha húmida ou envolva uma bacia plástica com a chalá dentro, com um plástico atando as pontas. Deixe crescer em local abrigado por duas horas, sovando-a a cada 20 minutos.

Molde os dois pães conforme desejado, pode fazer uma trança simples de três pedaços de massa, a tradicional com 7 pedaços cada ou como desejar e por fim, coloque-os em formas individuais, ou numa assadeira grande, bem separados um do outro. Deixe crescer até dobrar em tamanho. Pincele os lados de cima e laterais com ovo batido e espalhe sementes de papoila ou de gergelim. Por fim deixe assar por aproximadamente 30 minutos, ou até dourarem.





Fontes:

A foto é de Filipe de Freitas Leal  da Chalá feita na sua casa pelo próprio.



Judiarias de Portugal - Sintra.



Comunidade Judaica de Sintra




Antigo Mercado de Sintra


A primeira referência à judiaria de Sintra remonta ao século XII. Aqui se recolhiam os seguidores da Lei de Moisés, num beco que fechava as portas pelas Avé-Marias, ou Vésperas, impedindo os seus moradores de sair, salvo motivo especial. Esta Judiaria sintrense, a exemplo do que sucedia por todo o reino, tinha a sua própria gestão e funcionários, como, por exemplo, o tabelião, porteiro e rabi. A sinagoga, ponto central desta pequena comunidade, situava-se no terceiro prédio depois de transpormos os portais da judiaria, já que de acordo com uma carta de aforamento de dois prédios urbanos datada de 1407, afirma-se que eles ficavam entre a sinagoga e a porta da Judiaria. Esta comuna teve um relativo crescimento devido à necessidade de ferrar o cavalo, e ao aumento da produção económica da localidade. A judiaria situa-se na actual Rua das Padarias, (Rua Nova).





A partir do ano de 1480, têm um rabino de nome Salomão ben Crespo. Nos finais do séc. XV, esta comunidade tinha um rendimento aproximado de 600 reais, o que é relativamente modesto em relação a judiarias como Lisboa, Santarém, Évora, Coimbra ou Porto.



A Judiaria está localizada neste desenho de Duarte de Armas, 
1509, no canto inferior esquerdo.


Com o rei D. Afonso V, terá havido queixas por parte dos cristãos, devido à tentativa de expansão do comércio dos judeus para sectores mais alargados da urbe sintrense, o que levou o soberano de imediato a ordenar, para que todo o judeu só pudesse utilizar a porta da judiaria como local de comércio.


*Entrada para a antiga judiaria e Beco da judiaria.




Nos finais do século XV, princípios do séc. XVI, cristãos-velhos denunciam às autoridades da época, que crianças cristãs-novas brincavam junto à igreja de S.Pedro de Canaferrim, num claro “desrespeito por solo sagrado”. Desde o ano de 1493 a igreja já se encontrava abandonada.

Igreja de S.Pedro de Canaferrim de William Burnett, séc. XIX



É curioso saber que ainda no início do século XX, viviam ou trabalhavam nesta precisa área, taberneiros, alfaiates e sapateiros, havendo nomes como Gabriel David Cardoso, nome tipicamente cristão-novo, a viver e a fazer a sua vida naquele local.


Levantamento das principais famílias judaicas de Sintra, durante os finais do séc. XIV e XV:


1390 – Lecim-Ledi, profissão desconhecida; 1382 – Jacob Navarro, arredentário das sizas gerais e dos vinhos de Sintra, Cascais e da povoação de Cheleiros: 1405 – Mousem, ferreiro; 1441 – Samuel Weemias, sapateiro; 1441 – Juda Almate, desconhecida; 1441 – Salomão Falaz, tecelão; 1442 – Jach Alufe, sapateiro; 1442 – Judas Guedelha, alfaiate; 1442 – Jacob de Baiona, ferreiro; 1449 – Yoce Fadalley,desconhecida; 1456 – Judas Guedelha, sapateiro; 1457 – Anto Cohen, alfaiate; 1457 – Abraão Ruivo, ferreiro; 1463 – Salomão Palaçano, desconhecida; 1468 – Isaac Alcaide, desconhecida; 1469 – Salomão Palaegno, filho de Palaçano,mercador; 1471 – José, ferrador; 1480 – Moisés Sassor, neto de Palaçano, desconhecida; 1490 – Salomão ben Crespe, rabino; 1496 – Moisés de Saragoça, cirurgião.



Ilustração da segunda metade do século XIX


E é em 1503 que aparece a última referência documentada da sinagoga de Sintra (esnoga).



Judiaria de Sintra  
Aguarela de John Constable


Fontes:

Biblioteca Municipal e Obra em seis volumes, ano de 1997/8, dedicada a Alfredo da Costa Azevedo. CMS.
Fotos* e Vídeo de Rafael e Carlos Baptista
Artigo elaborado por Manuela Videira