Este blogue é dedicado ao judaísmo no seu sentido mais amplo. É um espaço de estudo e partilha sobre religião, património cultural e história de personalidades ou regiões judaicas. Desde já convidamos todos os que estiverem interessados em participar a fazê-lo da seguinte forma: Poderão enviar os vossos textos, fotos, pinturas e vídeos para o seguinte email:
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A antiga judiaria de Vila Flor
(Trás-os-Montes), situa-se entre a Rua Nova e a Travessa da Rua Nova, muito
próximo do "Arco de D.Dinis". Nesta pequena área habitacional, os
judeus desenvolveram as suas artes e ofícios, como o comércio, os curtumes e a
ourivesaria.
A comuna hebraica já estaria
presente nesta povoação desde o século XIII.
Na nossa mais recente viagem
levada a cabo "Por Terras de Sefarad", a cidade de Trancoso na Beira
Interior Norte, foi a primeira das localidades selecionadas a receber a nossa
visita, direcionando o objectivo principal para a sua antiga judiaria, para as
marcas cruciformes gravadas um pouco por toda a área habitacional da mesma, o
Poço do Mestre e a famosa Casa do Gato Preto, (simbolizando o Leão de Judah
esculpido em alto revelo na fachada do edifício), bem como o novíssimo Centro
de Interpretação Isaac Cardoso.
A Chalá חלה (plural Chalot חלות) é um pão entrançado, que se
produz em geral na sexta-feira, para a celebração do Shabbat e dias santos; é
também usada para consumo nas refeições de sexta-feira à noite, o almoço de
Shabbat e o Jantar, após a Havdalá, quando se voltam a acender as velas nesse
dia, e isto por não se poder cozinhar no dia de Shabbat.
Abaixo está a receita e os
respectivos ingredientes necessários, bem como o vídeo que vos ajudará a ver
todo o processo.
Ingredientes
da Massa
8 copos
de farinha de trigo,
2
pacotes de fermento de padeiro de 60g cada,...
1 ovo,
1/2
copo de óleo de girassol ou margarina de culinária,
1
colher (de chá) de sal,
1 copo
de açúcar,
2 copos
de água morna.
Preparação da Chalá
Dissolver o fermento em água
morna, adicionar o açúcar, sal e a metade da farinha. Misturar bem e adicionar
o ovo, o óleo ou margarina vegetal se preferir e o restante da farinha a pouco e pouco.
(Antes da massa ficar espessa, pode-se misturar com a batedeira.)
Ponha a massa sobre uma
superfície polvilhada de farinha e trabalhe-a massa por uns 10 minutos. Só
adicionar a farinha se necessário para trabalhar a massa para que não fique
pegajosa. Deve trabalhar a massa até ela ficar "elástica."
Por fim deve por a massa em uma
bacia grande, untada com a margarina. Vire-a para que a parte de cima também
seja untada. Cubra com uma toalha húmida ou envolva uma bacia plástica com a
chalá dentro, com um plástico atando as pontas. Deixe crescer em local abrigado
por duas horas, sovando-a a cada 20 minutos.
Molde os dois pães conforme
desejado, pode fazer uma trança simples de três pedaços de massa, a tradicional
com 7 pedaços cada ou como desejar e por fim, coloque-os em formas individuais,
ou numa assadeira grande, bem separados um do outro. Deixe crescer até dobrar
em tamanho. Pincele os lados de cima e laterais com ovo batido e espalhe
sementes de papoila ou de gergelim. Por fim deixe assar por aproximadamente 30
minutos, ou até dourarem.
Fontes:
A foto
é de Filipe de Freitas Leal da Chalá feita na sua casa pelo próprio.
A primeira referência à
judiaria de Sintra remonta ao século XII. Aqui se recolhiam os seguidores
da Lei de Moisés, num beco que fechava as portas pelas Avé-Marias, ou Vésperas,
impedindo os seus moradores de sair, salvo motivo especial. Esta Judiaria
sintrense, a exemplo do que sucedia por todo o reino, tinha a sua própria
gestão e funcionários, como, por exemplo, o tabelião, porteiro e rabi. A
sinagoga, ponto central desta pequena comunidade, situava-se no terceiro prédio
depois de transpormos os portais da judiaria, já que de acordo com uma carta de
aforamento de dois prédios urbanos datada de 1407, afirma-se que eles ficavam
entre a sinagoga e a porta da Judiaria. Esta comuna teve um relativo crescimento devido à necessidade de ferrar o cavalo, e ao aumento da produção económica da localidade. A judiaria situa-se na actual Rua das Padarias, (Rua Nova).
A partir do ano de 1480, têm um
rabino de nome Salomão ben Crespo. Nos finais do séc. XV, esta comunidade tinha
um rendimento aproximado de 600 reais, o que é relativamente modesto em relação
a judiarias como Lisboa, Santarém, Évora, Coimbra ou Porto.
A Judiaria
está localizada neste desenho de Duarte de Armas,
1509, no canto inferior
esquerdo.
Com o rei D. Afonso V, terá
havido queixas por parte dos cristãos, devido à tentativa de expansão do comércio
dos judeus para sectores mais alargados da urbe sintrense, o que levou o
soberano de imediato a ordenar, para que todo o judeu só pudesse utilizar a
porta da judiaria como local de comércio.
*Entrada para a antiga judiaria e Beco da judiaria.
Nos finais do século XV, princípios
do séc. XVI, cristãos-velhos denunciam às autoridades da época, que crianças
cristãs-novas brincavam junto à igreja de S.Pedro de Canaferrim, num claro
“desrespeito por solo sagrado”. Desde o ano de 1493 a igreja já se encontrava
abandonada.
Igreja de S.Pedro de Canaferrim de William Burnett, séc. XIX
É curioso saber que ainda no início
do século XX, viviam ou trabalhavam nesta precisa área, taberneiros, alfaiates
e sapateiros, havendo nomes como Gabriel David Cardoso, nome tipicamente
cristão-novo, a viver e a fazer a sua vida naquele local.
Levantamento das principais famílias judaicas de
Sintra, durante os finais do séc. XIV e XV:
1390 – Lecim-Ledi, profissão
desconhecida; 1382 – Jacob Navarro, arredentário das sizas gerais e dos vinhos
de Sintra, Cascais e da povoação de Cheleiros: 1405 – Mousem, ferreiro; 1441 –
Samuel Weemias, sapateiro; 1441 – Juda Almate, desconhecida; 1441 – Salomão
Falaz, tecelão; 1442 – Jach Alufe, sapateiro; 1442 – Judas Guedelha, alfaiate; 1442
– Jacob de Baiona, ferreiro; 1449 – Yoce Fadalley,desconhecida; 1456 – Judas
Guedelha, sapateiro; 1457 – Anto Cohen, alfaiate; 1457 – Abraão Ruivo,
ferreiro; 1463 – Salomão Palaçano, desconhecida; 1468 – Isaac Alcaide,
desconhecida; 1469 – Salomão Palaegno, filho de Palaçano,mercador; 1471 – José,
ferrador; 1480 – Moisés Sassor, neto de Palaçano, desconhecida; 1490 – Salomão
ben Crespe, rabino; 1496 – Moisés de Saragoça, cirurgião.
Ilustração da segunda metade do século XIX
E é em 1503 que aparece a última
referência documentada da sinagoga de Sintra (esnoga).
Judiaria de Sintra
Aguarela de John Constable
Fontes:
Biblioteca Municipal e Obra em seis
volumes, ano de 1997/8, dedicada a Alfredo da Costa Azevedo. CMS.