terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

“Gente de Nação Além e Aquém do Côa (Judeus Sefarditas)”




História da presença judaica na região, retratada no novo livro de Adriano Vasco Rodrigues. 




Trata-se do mais recente trabalho do historiador Adriano Vasco Rodrigues. “Gente de Nação Além e Aquém do Côa (Judeus Sefarditas)”, escrito com a sua esposa, Maria da Assunção Carqueja, recentemente falecida.


O livro faz uma cronologia da história da presença judaica no distrito da Guarda, desde do nascimento de Portugal com Dom Afonso Henriques até aos nossos dias. A Inquisição e a expulsão dos judeus de Espanha para Portugal, pelos Reis Católicos são dois temas centrais desta obra. Adriano Vasco Rodrigues refere que a fronteira de Vilar Formoso foi o principal ponto de passagem da primeira grande entrada de judeus para Portugal, em 1492, com édito de Alhambra, em Espanha.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Mais um pequeno passeio por terras de sefarad




Pinhel


Cidade portuguesa de 9.600 habitantes, situada na região da Beira e banhada pelo rio Côa. O seu nome deriva da grande quantidade de pinheiros existentes nessa zona.


Embora o foral de Pinhel de 1200 já regista a actividade comercial dos judeus aí residentes, a comuna judaica desta antiga cidade fronteiriça deve ter-se desenvolvido apenas no início do século XV. No final deste século, favorecida pela proximidade de Espanha, vê o número de habitantes judeus ascender a cerca de 200.




Numa clara referência aos Judeus vindos dos reinos de Espanha, em Pinhel houve um ditado popular bem satírico:

"Pires, Petras, Desterros e Galhanos, fugir deles são judeus castelhanos".

De facto, as famílias mais comuns correspondiam aos Barzelai, Amiel, Abenazum, Ergas, Cid, Adida, Cohen e Castro. 



No início do século XX, o movimento iniciado pelo Capitão Barros Basto, conhecido como a “Obra do Resgate” motivou as famílias de origem judaica a iniciarem a construção de uma sinagoga, e em 1931 chegaram mesmo a considerar-se publicamente judeus, celebrando o novo ano judaico.




Em 8 de maio de 1932 constitui-se a comunidade Israelita de Pinhel, cuja sinagoga ficou com o nome de “Shaaré Orah” (Portas da Luz). Mas os tempos conturbados da Segunda Guerra mundial voltaram a aconselhar discrição à comunidade de Pinhel, e actualmente é difícil encontrar referências à localização dessa sinagoga.




Fontes:


 (Por Caeiro)


domingo, 16 de fevereiro de 2014

A Beringela na Gastronomia Sefardita



Los Guisados de Berendjenas



     Aceites pelas normas kosher, as verduras, as hortaliças e os frutos, secos ou frescos, são considerados alimentos de subsistência na culinária judaica, quer sefardita, quer ashkenazi. 




    A beringela, o fruto de uma planta originária da Índia, ocupa um lugar de destaque na gastronomia sefardita. De tal forma que, em Espanha, depois da expulsão dos judeus em 1492, gostar de beringela era tido como um indicador de procedência sefardita. A simples inclusão da beringela num prato bastava para o identificar como comida de judeus



Cena de Pessach, Haggadah de Sarajevo



     Ao longo dos séculos, a memória das melodias e palavras que os sefarditas levaram da sua amada Sefarad, foi enriquecida, incorporando elementos diversos assimilados na diáspora.


 «Boca dulce avre puerta de fierro» - ditado sefardita





    A beringela, dita em ladino berendjena, merendjena ou merenjena, é mencionada em quadras populares de tema gastronómico, da tradição sefardita dos territórios do antigo Império Otomano e Costa Mediterrânica, conhecendo várias versões. Numa recolha de David Hakohén (Sarajevo, 1794), que consta do livro “Coplas sefardíes. Primera seleccíon”, de Elena Romero, aparece “La Cantiga de las Merenjenas” que faz referência a 35 maneiras de cozinhar a beringela. A última quadra, em modo de epílogo, aconselha qual o melhor acompanhamento, bebida incluída. 


“La cantiga de las merenjenas”


1ª quadra - Cuantos modos de guisados se hacían de la merenjena
La primera las hacía la descansada de Morena:
cortadas a rebanadas y echadas en la cena
que ansí la *anvezó su consuegra *bula Lena.

(…)

36ª quadra – Todo este que oistes *cale a lado su rabanico
y harés um bon *piaz con pimienta e *prijilico
y en cada dos bocados beberés vuestro vinico
que ansí está encomendado tanto pobre como rico. 



    Uma outra variante muito popular é a cantiga “Siete Modos de Guisar las Merendjenas”, que Susana Weich-Shahak recolheu em 1974, em Ashdod, Israel, junto da senhora Rosa Avzaradel, nascida em Rodes em 1912. Vamos ouvi-la na voz de Maria Salgado. 



Siete Modos de Guisar las merendjenas


1 - Siete modos de guisados se guisa la merendjena,
la primera que la guisa es la* vava de Elena.
Ya la hace bocadicos y la mete ‘n una cena.
Esta comida la llaman: comida de merendjena


Estribilho - A mi tio Cerasi, que le agrada beber vino;
con el vino, vino, vino mucho y bien a él le vino.


2 - La segunda que la guisa es la mujer de *Samás,
la cavaca por arientro y la hinchi de aromat.
Esta comida la llaman: la comida la *dolmá (2)

3 - La tracera que la guisa es mi prima Ester di Chiote,
la cavaca por arientro y la hinchi de arroz moti.
Esta comida la llaman: la comida l’ *almondrote (2)

4 - La *alburnia es savorida en color y en golor;
ven, haremos una cena, mos gozaremos los dos,
antes que venga el gosano y li quite la sabor (2)

5 - En las mesas de las fiestas siempre brilla el jandrajo.
Ya l’haremos pastelicos, ellos frien en los platos,
esperando a ser servidos con los *guevos jaminados (2)

6 – La salata maljasina es pastosa y saborida
Mi vecina la prepara con mucho aceite de oliva
Estes platos accompañan a los rostos de gallina (2)

7 - La setena que la guisa, es mejor y mas janina,
la prepara Filisti, la hija de la vecina,
y la mete en el forno de cabeza a la cocina,
con aceite y con pimienta ya la llaman una *meyína.



Glossário:
“La Cantiga de las Merenjenas” - *anvezó – ensinou; *bula – nome dado a senhoras mais velhas; *cale – faz falta; *piaz – picadinho de cebola; *prijilico – coentros;
“Siete Modos de Guisar las Berendjenas” - *vava – avó;*Samás – porteiro da sinagoga;
*dolmá – verduras salteadas;*almondrote ou alburnia - beringelas gratinadas com queijo;*guevos jaminados – ovos cozidos com casca de cebola;
*meyína – espécie de pastel ou soufflé.


BERINGELAS RECHEADAS

Sendo a beringela recheada um dos pratos favoritos cá de casa, atrevo-me a partilhar uma receita que fui compondo à minha maneira, com dicas daqui e de acolá:


 Ingredientes:

3 beringelas grandes
2 cebolas grandes
1 dente de alho
3 tomates grandes maduros (ou tomate em calda, a gosto)
1 colher (de chá) de açúcar
200 g de cogumelos
1 cenoura grande
Queijo Mozzarella ralado
Azeite
Sal, orégãos e manjericão


Corte o pé das beringelas, lave-as e coloque-as numa caçarola. Regue com água a ferver temperada com sal e leve a cozer durante 5 minutos. Retire-as e mergulhe-as em água fria 5 minutos. Depois de as escorrer e enxugar, abra-as ao meio, longitudinalmente. Com uma colher escave a polpa, tendo o cuidado de não desmanchar as beringelas. 

Pique a polpa das beringelas e reserve. Cubra o fundo de um tabuleiro com azeite e coloque as metades de beringelas, pousadas sobre as cascas. Entretanto, retire a pele e as sementes aos tomates e pique-os; descasque e pique as cebolas e o dente de alho. Deite azeite numa caçarola e introduza os ingredientes. Tempere com sal, e deixe cozer em lume brando 10 minutos. Acrescente o açúcar e mexa. Adicione os cogumelos laminados. Continue a cozedura, mexendo de vez em quando, até o líquido reduzir. Introduza a polpa das beringelas na caçarola e deixe cozer mais 5 minutos. Rectifique o sal e tempere com uma pitada de orégãos e manjericão.

Recheie as beringelas com o preparado, cubra-as com a cenoura ralada e o queijo ralado. Leve ao forno (t. 4) durante 30 minutos.

Nota: nesta receita sobra sempre recheio. Sugerimos que o aproveite para uma tarte. Se quiser variar, pode acrescentar atum ao recheio.


Bom Apetite!




Este artigo foi elaborado e enviado por

Sónia Craveiro



Muito obrigada por esta partilha, de deixar água na boca. J



Fontes: