quinta-feira, 3 de abril de 2014

"Não tenho medo da morte...







"Não tenho medo da morte, porque apesar 
de tudo fiz alguma coisa neste mundo".


Rabino Nahman de Bratislava


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Makot Mitzrayim







O episódio das Dez Pragas, chamadas em hebraico de Makot Mitzrayim, literalmente Pragas do Egipto, relatado na Hagadah de Pessach, consta no Livro de Shemot (Êxodo). 
Numa primeira leitura, a aparente razão para tais calamidades foi a obstinada recusa do Faraó em obedecer à ordem do Eterno de libertar os hebreus. No entanto, se este fosse o único propósito, um único golpe devastador teria sido suficiente. Por que, então, D'us optou por dez calamidades? Porque, através das Dez Pragas, o Eterno demonstrou não apenas ser O Criador do Universo, mas Senhor Único e Absoluto dos Céus e da Terra, Juiz Supremo e Força Regente da Natureza. No Egipto, a contundente revelação da Onipotência Divina fez com que mesmo os mais incrédulos entre os Filhos de Israel fossem obrigados a reconhecer o ilimitado Poder Divino. O principal objectivo das múltiplas pragas foi, portanto, demonstrar a Israel que D'us de seus ancestrais, D'us de Abraão, Isaac e  Jacob, é D'us Único, Senhor sobre a natureza e sobre as outras nações, e que não há outro além Dele.


As pragas serviram também como o grande castigo pela escravidão, tortura e campanha de genocídio perpetrada pelos egípcios contra o Povo Judeu. Mas a Torah não é um simples compêndio de história judaica e o judaísmo não permite celebrar o sofrimento alheio, ainda que seja o dos inimigos de Israel. As Dez Pragas são relatadas na Torah e na Hagadah não como celebração da Justiça Divina, mas como fonte de lições espirituais.



sábado, 29 de março de 2014

Catarina Dias, a Purgatória!



O Poema


Mural em memória dos Castelo-Videnses vítimas da Inquisição.
Museu de Castelo de Vide

Cantava, nesse tempo,
A oração dos mortos,
Ligando no tear
Os fios da memória –

Devolvia a água
À raiz da oliveira
Para que o sangue
Pudesse alimentar
A luz (e as sombras)
Dessa terra –

Lançava sobre o lume
O sabor e a sabedoria
Para que o fermento
Envolvesse a solidão –

Bebia na fonte
O brilho da pedra,
Guardando no cântaro
A angústia das palavras –

Guardava no peito
O fogo e a fuga,
O leito que um dia
Fechara a garganta –

– Quando vieram, sem sombra,
Impor sobre o corpo esse peso
Sem vida

E a vestiram de noite,
Embora fosse branco
O hábito perpétuo.

Por Ruy Ventura

Este poema foi-me enviado pelo autor, escrito em memória de uma antepassada judia, condenada pelo tribunal da Inquisição de Évora.

 Nota – Catarina Dias, a Purgatória foi uma judia do século XVIII residente em Castelo de Vide. Foi condenada pela Inquisição de Évora a usar o chamado “sambenito”. Outros seus familiares foram queimados em auto-de-fé no Rossio de São Brás, na capital da então província de Entre-Tejo-e-Odiana.

Ruy Ventura acrescenta no seu blog, Estrada do Alicerce:

“Ao construir a minha árvore genealógica, deparei-me com um nome estranho: Catarina Dias, a Purgatória. Tentei investigar de onde viria essa designação. Achei Catarina membro da família Narigão (de Castelo de Vide) que, em conjunto com os Tirados, fora severamente atormentada pelos sequazes da Inquisição. Catarina estava incluída no número dos sofredores: embora não tivesse visto as suas cinzas misturadas à terra do Rossio de São Brás de Évora, local de autos-de-fé, fora obrigada a usar durante toda a vida o odioso “sambenito “. Daí o alcunha.”


Uma das ruas da Judiaria de Castelo de Vide


Fontes:
Enviado por Carlos Baptista