quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sefarad. Eterna Sefarad





Por Salvador Massano Cardoso



O tempo permite recordar certos momentos que podem ser facilmente transformados em interessantes histórias. Acontece-me frequentemente sofrer de regurgitação saborosa desses apontamentos, que, desejosos de ver a luz do dia, ajudam a construir novas ideias.
Ao ler a publicação de que os descendentes de judeus expulsos de Portugal nos séculos XV e XVI podem obter a nacionalidade portuguesa, uma forma de tranquilizar a má consciência colectiva, recordei-me de um pequeno episódio ocorrido há mais de vinte anos. 
Fui apresentar um trabalho a Jerusalém. Foi uma verdadeira epopeia chegar até lá. Fiquei com a nítida sensação de que nem um piolho ou percevejo seria capaz de furar as barreiras que tive de transpor. O congresso teve lugar fora da cidade, numa zona ocupada, um kibutz transformado em hotel. Nada mal, apesar de tudo. Era o único português. Fui confrontado com várias culturas, hábitos e costumes diferentes dos nossos. Tropeçava a qualquer momento com interessantes pretextos para fabricar histórias; imensos. Não recordo de uma semana tão profícua em termos de temas para mais tarde escrever. Não vou passar a pente fino esses acontecimentos, mas sim descrever um que me impressionou.






No dia da discussão do meu poster, fui o primeiro a chegar à sala. Mania de gaiteiro! Aparentemente estava vazia, mas ao fundo vislumbrei um militar fardado com uma pistola à cintura. Baixo, atarracado mesmo, com notória falta de cabelo, apesar de ser ainda novo, estava de plantão junto do meu trabalho. Na altura, as convulsões naquele país estavam bem acesas, como é costume. Fiquei meio apreensivo, mas continuei a caminhar. Ao chegar, o senhor perguntou-me se eu era o autor daquele trabalho. A minha inquietação cresceu porque tratava-se de um trabalho sobre epidemiologia das doenças cardiovasculares que, aparentemente, não tinha nada de subversivo e nem interesse para um militar armado. Disse que sim, que é que havia de dizer? Foi então que o militar, com barriga proeminente, baixo e com a calvície a nascer, me cumprimentou e disse mais ou menos o seguinte:- É o primeiro português que conheço. Sou médico. Os meus antepassados foram expulsos de Portugal, mais concretamente de Lisboa. Fiquei de boca aberta! O medo dissipou-se e a curiosidade aumentou em proporção inversa. A conversa continuou com o colega hebreu a fazer imensas perguntas sobre Portugal, país que gostaria imenso de conhecer. Contou-me que os seus pais falavam ladino em casa. Ele, assim como a irmã, já não sabiam falar, mas ainda rezavam nessa língua com os pais. A sua curiosidade em ver um "compatriota" (!) foi tal a ponto de estar ali, sozinho. Com mais atenção, e admiração, vi que tinha um vulgar ar de português. Ele queria conversar. A certo momento contou-me que em casa a família tinha uma velha chave. Os pais guardavam-na com muito carinho; vinha sendo transmitida de geração em geração. Era a chave da casa onde viveram os seus antepassados quando foram expulsos de Portugal. Fiquei sensibilizado com aquela descrição. A chave representou, e, talvez, quem sabe, continua a ser o símbolo da esperança de um dia poderem regressar à sua casa. Uma esperança que se acasala perfeitamente com a atribuição da nacionalidade portuguesa aos descendentes dos expulsos das suas terras.



Não sei se os pais ainda são vivos. Não sei se o médico israelita vai ter conhecimento desta decisão do governo português, mas se tiver quase que tenho a certeza de que a irá solicitar. Não é em vão que se guarda durante centenas de anos a chave da casa de onde foram expulsos. 
Interessante poder sentir a força da "nacionalidade" séculos depois da ignomínia da expulsão. 


Sefarad. A eterna Sefarad.






Via: quartarepublica.blogspot.pt




sexta-feira, 5 de junho de 2015

Beha'alotecha




Shabat Shalom!



Veronique Cheney painting

Mazal Bueno - contos e cantos sefarditas





Abertos à divulgação da nossa história, é com imenso prazer que partilhamos com os nossos estimados leitores a Companhia Artística "Cabeça de Vento" e seu espectáculo Mazal Bueno, dedicado às tradições culturais sefarditas. 








Em Portugal todas as narrações são feitas em português.​ No caso das canções, estas são originalmente em judeo-espanhol, idioma que mantemos independentemente do país onde actuamos. 


MAZAL BUENO ​é um recital de músicas e contos sefarditas do Mediterrâneo.
A música sefardita canta a própria vida, com as suas canções para brincar, canções-receita para cozinhar, canções-conto ou romances, canções de amor, canções de boda e canções de morte.​


MAZAL BUENO ​tenta reconstruir esta linha da vida não só com canções, mas também com pequenas narrações que de forma poética contam os costumes destas comunidades, o périplo do êxodo a que se viram forçadas, as artimanhas de 'camuflagem' para sobreviver à Inquisição e o trabalho de memória e saudade que manteve e mantém uma língua viva no exílio, cinco séculos depois.



Contacto: a.cabeca.de.vento@gmail.com

https://www.behance.net/cabecadevento










quinta-feira, 4 de junho de 2015

XVI Jornada Europeia da Cultura Judaica




Dia 6 de Setembro de 2015







Bairro Judeu de Segóvia


Para mais informações:


juderia@turismodesegovia.com
reservas@turismodesegovia.com




Via: www.redjuderias.org






Livro




O Segredo de Barcarrota 
A Estranha História de Um Mistério Ibérico do Século XVI


Sérgio Luís de Carvalho 

Edição / Impressão / 2011 
Editora / Oficina do Livro 




Sinopse 



Barcarrota, Verão de 1556. Em Barcarrota, o médico cripto-judeu Francisco de Penharanda leva uma vida pacata. Contudo, algumas sombras toldam a sua vida (e a sua fé). Numa época em que as trevas da inquisição se adensam, o médico tem de rezar em clandestinidade, contando com a cumplicidade dos vizinhos e até do pároco local, frei Miguel de Santa Cruz, um bizarro clérigo que garante conversar com o diabo. 


A sua mulher, dona Guiomar, padece de uma doença mental degenerativa que lhe abrevia os momentos de lucidez. Desenganado já da sua inútil medicina, Francisco de Penharanda volta-se para terapias cada vez mais estranhas e interditas. Para tal conta com o auxílio de um antigo discípulo, o português Fernão Brandão, médico em Olivença. É esta importante personagem quem lhe fornece os livros esotéricos (de quiromancia, de astrologia, de exorcismo) com que o velho médico tenta, em desespero, sarar a mulher. Porém, de mês para mês, o ambiente na vila piora. Frei Miguel de Santa Cruz é substituído por Frei Ruiz do Monte Sinai, um frade que oscila entre uma indisfarçável simpatia e um atroz calculismo, sempre enquadrados por uma cultura enciclopédica. No Outono de 1556, a vila muda drasticamente. O cerco aperta-se sobre o médico. Num momento de lucidez, dona Guiomar apercebe-se do risco que o marido corre. A meio da noite abandona a sua casa e suicida-se nas profundezas da ribeira de Alcarrache, perto da vila, onde a família tem um moinho e onde há anos haviam enterrado os objectos rituais da sua fé judaica. A morte de dona Guiomar liberta Francisco de Penharanda.




terça-feira, 2 de junho de 2015

Contribuição | Junho 2015





02 Junho 2015

Caros amigos, hoje levámos a cabo mais uma entrega de roupa e brinquedos. Desta vez a organização escolhida foi a

 Aldeia de Crianças S.O.S.




Na impossibilidade da nossa parte de o fazermos ontem, no Dia Mundial da Criança, fizemo-lo hoje, que também é o Dia Mundial da Criança, tal como todos os dias do ano.




Queríamos deixar aqui um agradecimento muito especial à Paula Rodrigues que tem sido incansável em todas estas acções, contribuído sempre em quantidade e acima de tudo em disponibilidade total para este tão nobre efeito.


Paula Rodrigues, Manuela Videira, Rafael Baptista e Carlos Baptista