quarta-feira, 21 de maio de 2014

Músicas sefarditas















Judah Abravanel (Leão Hebreu)




Filho de Isaac Abravanel, nasceu em Lisboa, em 1465, tendo vivido também em Espanha e em Itália. Supõe-se que terá morrido em 1534.


Do ponto de vista da filosofia, notabilizou-se pela elaboração dos Diálogos de Amor, cuja primeira edição saiu postumamente em Roma em 1535. Trata-se de uma «filografia universal» em que a propósito de um dos mais fecundos temas do renascimento, o amor, expõe as grandes linhas do seu pensamento, nos planos da cosmologia, teologia, metafísica, antropologia e estética.









O tema do amor, conservando o carácter caritativo e religioso de que se revestira com St. Agostinho e S. Tomás, conhecera um importante influxo com a tradução dos Diálogos de Platão por M. Ficino, sendo por essa via e não pela tradição rabínica que Leão Hebreu receberá a sugestão platonizante.


O seu conceito de sabedoria foi tributário da atitude dominante na época, convidando à erudição de que a sua obra é expressivo exemplo. Assim, procurou fundir a Bíblia com Platão, Aristóteles, os estóicos e os árabes (sobretudo Averróis e Avicena). Por isso, uma das suas maiores preocupações foi a de revelar a concordância de Platão e Aristóteles com a Bíblia, explicando a divergência entre os dois filósofos da antiguidade com base numa diversidade de informação acerca da Escritura.


Abordou desenvolvidamente o tema das relações entre a razão e a revelação, para defender a tese da supremacia desta, afastando o tema averroísta da dupla verdade, não sem que antes acentuasse a origem racional das ciências particulares. Tributário de uma cosmologia neoplatónica em que todos os seres se hierarquizam segundo uma ordem descendente (de Deus até à matéria primeira) e ascendente (da matéria primeira até Deus), Leão Hebreu concebe o amor como princípio universal, mediante o qual o superior se une com o inferior, o eterno com o corruptível e o universo com o seu criador. O amor é o espírito que penetra o mundo, vivificando-o, bem como o laço que abraça todo o universo, estabelecendo a sua harmonia intrínseca. Pode também conceber-se como causa dos dois percursos referidos, cada um dos quais definindo um semicírculo: tendo a sua origem em Deus, dele descende paternalmente do mais para o menos belo. Inversamente, é também o amor que reduz todo o universo a Deus, numa ordem ascendente que une as criaturas ao Criador.


Sobre este pano de fundo aborda os grandes temas da cosmologia, antropologia e estética. A sua cosmologia é de base qualitativa, dando guarida a complexas teorias astrológicas, pois que se dedica à análise do influxo dos planetas no carácter dos indivíduos e à interpretação astrológica das fábulas mitológicas.


À maneira renascentista e de certas correntes platonizantes, entendeu o mundo como um ser vivo onde distinguiu a parte imaterial da corpórea, e nesta, a região celeste da terrestre. Todavia, procurou evitar o panteísmo defendendo que o efeito carece da perfeição da causa. De facto, Deus surge-lhe como o primeiro ser por cuja participação todas as criaturas existem, agindo sempre por inteira e livre omnipotência. O tema da criação é aliás um dado apriorístico, e por ele se entrega à refutação da tese aristotélica da eternidade do mundo.


No plano antropológico veiculou o tema do homem-microcosmo, em coerência aliás com a sua visão qualitativa do universo. Já no que concerne ao significado da felicidade e beatitude do homem, procurou conciliar a mística tradicional, para a qual o homem se une a Deus pelo coração e não por um acto de inteligência, com a mística intelectualista de Maimónides, para quem, sendo o conhecimento superior à vontade, a atitude mística e a beatitude suprema consistem essencialmente num acto de meditação. Leão Hebreu sintetiza as duas posições: amor e conhecimento são funções distintas apenas ao nível inferior da materialidade e não ao nível do intelecto puro, pelo que é possível falar num amor intelectual de Deus.


Finalmente, no plano da estética, defendeu que a essência do belo é de natureza espiritual, residindo nas ideias, enquanto pré-notícias divinas das coisas produzidas.






Obras
Diálogos de Amor, texto fixado, anotado e traduzido por Giacinto Manuppella, vols. I e II, Lisboa, 1983 (inclui ampla bibliografia)


Bibliografia
Giuseppe Saitta «La filosofia di Leone Hebreo» in Filosofia Italiana e Humanismo, Veneza, 1928;José Narciso Rodrigues, «A filosofia de Leão Hebreu. O amor e a beleza» in Revista Portuguesa de Filosofia, t. XV, fasc. 4, Braga, 1959, pp. 349-386;José Barata Moura «Amizade humana e amor divino em Leão Hebreu», in Didaskalia, vol. II, fasc. I, Lisboa, 1972, pp. 155-157;Id., «Leão Hebreu e o sentido do amor universal» in Didaskalia,, vol. II, fasc. II, Lisboa, 1972, pp. 375-404; Joaquim de Carvalho, Leão Hebreu Filósofo, in Obras Completas de Joaquim de Carvalho, vol. I, Lisboa, 1978;J. Pinharanda Gomes, A filosofia hebraico-portuguesa, Porto, 1981.




Pedro Calafate




Via: cvc.instituto-camoes.pt




terça-feira, 20 de maio de 2014

ENKANTES SEFARADÍES en Valencia, España




Liliana Benveniste apresenta seu concerto de música sefardita na cidade de Valência, com um repertório de composições clássicas e de novas canções de origem sefardita, mantidas por muitos anos nas comunidades judias do antigo Império Otomano, após a expulsão dos judeus de Espanha e Portugal no século XV. 





(Enviado por Margarida Castro)



quinta-feira, 15 de maio de 2014

ADON OLAM




“Senhor do Universo”



Adon Olam (Gerovitch) עולם אדון
Interpretação do chazzan Brian Shamash



ADON OLAM - Senhor do Universo, sobre o qual reinou antes mesmo de qualquer criatura ter sido criada. No momento em que fez tudo, conforme o Seu desejo, então foi proclamado Rei Altíssimo. (…) Ele é o meu D’us e o meu vivo Redentor, Rocha para me ajudar nas minhas dores e no dia da minha angústia. (…) Confiarei o meu espírito nas Suas mãos no momento de cair no sono, e de novo despertarei. E o meu espírito, o meu corpo, também Lhe entrego. O Eterno está comigo e assim nada receio. 




Solomon Ibn Gabirol por Tom Block



Adon Olam (“Senhor do Universo”) é um hino da Liturgia Judaica, cuja autoria é atribuída ao poeta e filósofo Solomon Ibn Gabirol, também conhecido por Solomon Ibn Judah (Málaga, c. 1021-Valência, c. 1058). 



Abraão em oração


A palavra Adon, significando “Senhor”, foi falada pela primeira vez na Bíblia por Abraão, referindo-se a D’us. O poema Adon Olam, para o qual têm sido compostas inúmeras melodias ao longo dos tempos, fala da grandiosidade de D’us e é cantado no final de Kabbalat Shabbat, no serviço diário de Schaharit e Festivais. Pode igualmente fazer parte da composição das orações antes de dormir e ser recitada junto ao leito de morte. 




Jewish a cappella music group Shir Soul - "Adon Olam"
Recorded LIVE at Chabad of Teaneck




Este artigo foi elaborado e oferecido a este espaço por  Sónia Craveiro.

Muito obrigada Sónia J


SHABAT SHALOM!



Fontes:
Siddur Completo, editora & livraria Sêfer

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A BÍBLIA DE CERVERA NO CONTEXTO DO LIVRO SEFARDITA MEDIEVAL





15 de Maio - 18h30
A BÍBLIA DE CERVERA NO CONTEXTO DO LIVRO SEFARDITA MEDIEVAL - Anfiteatro IV - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa








Conferencistas: 
José Augusto Ramos (CH-UL/FL) Luís Urbano Afonso (ARTIS-IHA/FLUL) Tiago Moita (ARTIS-IHA/FLUL).






Via: Cátedra de Estudos Sefarditas "Alberto Benveniste"



sexta-feira, 9 de maio de 2014

Mazal Tov Chaverim!




Ontem, dia 8 de Iyar do ano 5774 da era judaica (08-05-2014), foram presentes a Beit Din, acompanhados pelo rabino Jules Harlow e sua esposa Navah Harlow, a Sónia Craveiro e o Filipe Rocha.




Hoje é dia de desejarmos Mazal Tov à Shoshana bat Yehudah v’Sarah (Sónia) e ao Yosef ben Abraham (Filipe) por se terem tornado membros haláchicos da comunidade judaica mundial.

Bem-vindos ao povo de Israel!




Vamos deixar-vos com os momentos finais desta tão bela e inolvidável cerimónia;





E nesta última foto da direita, podemos ver da direita para a esquerda:



Rabino Chaim Weiner; Yosef bem Abraham; Shoshana bat Yehuda v´Sarah; rabino Jules Harlow e sua esposa Navah Harlow. (Clique nas fotos para as ampliar)





 Este momento mágico teve lugar em Londres, mais propriamente na sinagoga  - “New North London Synagogue” - (Old Synagogue).

Shabat Shalom








Do Talmude...




"O homem deve prestar atenção de modo a não exasperar a mulher, para não a fazer chorar".


Talmude, Tratado 
de Baba Matsia






Antigo postal com uma mulher 
sefardita de Tânger.




quinta-feira, 8 de maio de 2014

Conferência Ibérica na Biblioteca Municipal - Elvas




A conferência “A Biblioteca de Barcarrota, revelador elemento intercultural fronteiriço hispano-luso e a Colecção Judaica da Biblioteca Municipal de Elvas”, vai ter lugar em Elvas, no próximo sábado, 10 de maio, entre as 9h30 e as 19h00 horas, na Biblioteca Municipal de Elvas Drª. Elsa Grilo.






O programa arranca com a sessão de abertura pelas 9h30, seguindo-se às 11h00 horas a conferência sobre “O Centro Interpretativo da Cultura Sefardita do Nordeste Transmontano”. Da parte da tarde, abordam-se várias temáticas, como “El médico Francisco de Peñaranda, ocultador y dueño de la Biblioteca de Barcarrota”, “La Oración de la Emparedada” e “A Biblioteca de Barcarrota entre a realidade e ficção – os dois rostos do passado”, a partir das 15h00 horas.

Esta é uma organização da Câmara Municipal de Elvas, Governo da Extremadura, Ayuntamiento de Barcarrota e Universidade da Extremadura.


Entrada livre





Via: http://www.cm-elvas.pt



sexta-feira, 2 de maio de 2014