sábado, 29 de março de 2014

Catarina Dias, a Purgatória!



O Poema


Mural em memória dos Castelo-Videnses vítimas da Inquisição.
Museu de Castelo de Vide

Cantava, nesse tempo,
A oração dos mortos,
Ligando no tear
Os fios da memória –

Devolvia a água
À raiz da oliveira
Para que o sangue
Pudesse alimentar
A luz (e as sombras)
Dessa terra –

Lançava sobre o lume
O sabor e a sabedoria
Para que o fermento
Envolvesse a solidão –

Bebia na fonte
O brilho da pedra,
Guardando no cântaro
A angústia das palavras –

Guardava no peito
O fogo e a fuga,
O leito que um dia
Fechara a garganta –

– Quando vieram, sem sombra,
Impor sobre o corpo esse peso
Sem vida

E a vestiram de noite,
Embora fosse branco
O hábito perpétuo.

Por Ruy Ventura

Este poema foi-me enviado pelo autor, escrito em memória de uma antepassada judia, condenada pelo tribunal da Inquisição de Évora.

 Nota – Catarina Dias, a Purgatória foi uma judia do século XVIII residente em Castelo de Vide. Foi condenada pela Inquisição de Évora a usar o chamado “sambenito”. Outros seus familiares foram queimados em auto-de-fé no Rossio de São Brás, na capital da então província de Entre-Tejo-e-Odiana.

Ruy Ventura acrescenta no seu blog, Estrada do Alicerce:

“Ao construir a minha árvore genealógica, deparei-me com um nome estranho: Catarina Dias, a Purgatória. Tentei investigar de onde viria essa designação. Achei Catarina membro da família Narigão (de Castelo de Vide) que, em conjunto com os Tirados, fora severamente atormentada pelos sequazes da Inquisição. Catarina estava incluída no número dos sofredores: embora não tivesse visto as suas cinzas misturadas à terra do Rossio de São Brás de Évora, local de autos-de-fé, fora obrigada a usar durante toda a vida o odioso “sambenito “. Daí o alcunha.”


Uma das ruas da Judiaria de Castelo de Vide


Fontes:
Enviado por Carlos Baptista

quinta-feira, 27 de março de 2014

A diáspora sefardita, por Jordi Savall
















Três tradições...








“Três tradições concorrem na formação do pensamento português: a judaica, a cristã e
 a islâmica.”


Álvaro Ribeiro

(A arte de filosofar)



Sinagoga del Tránsito









A Sinagoga del Tránsito está situada no antigo bairro judeu da cidade de Toledo, Espanha, a oeste da cidade.
Este é o nome por que é conhecida popularmente, mas o seu verdadeiro nome é Sinagoga de Samuel ha Leví. Desde 1964, está instalado nela o Museu Sefardim, que tem como objectivo conservar o legado da cultura hispano-judia e sefardita para que fique integrada como parte essencial do Património Histórico Espanhol.



Construção: Sinagoga
Origem: Século XIV
Período artístico: Mudéjar
Período histórico: Século XIV 


Localização:
Calle Samuel Leví s/n
45002 Toledo (Toledo)
http://museosefardi.mcu.es Tel.:+34 925223665
Fax:+34 925215831






Fontes e respectivas fotos: www.toledosefarad.org
www.ciudadesyrincones.com



domingo, 23 de março de 2014

O Fanatismo Religioso



Mártires Cristãos na Inglaterra do século XVI

O Conflito entre Católicos e Protestantes


Os Filhos de Henrique VIII
Da esquerda para a direita: Henrique VIII, Will Somers (o seu bobo), Eduardo, Maria e Isabel



     O fanatismo, mais velho do que o Judaísmo, ou do que o Cristianismo, parece fazer parte da natureza humana. É assim como que uma espécie de gene do Mal. Não é pois de admirar que a História da Europa esteja cheia de violência, de terror, de derramamento de sangue. Os Judeus, discriminados e tiranizados durante séculos no Velho Continente, não foram as únicas vítimas de fanatismo. Os Cristãos, católicos e protestantes, com acusações mútuas de heresia, foram capazes de actos de enorme crueldade entre si. Neste artigo, vamos falar de um período particularmente difícil da História da Europa: a Reforma Protestante na Inglaterra do século XVI. 


O Rolo do Livro de Ester das Freiras de Tyburn


Meguillat Esther, séculoXVIII


    Recentemente, num espírito de aproximação entre religiões, o escriba judeu britânico Mordechai Pinchas restaurou um pergaminho veneziano do século XVIII, um rolo do Livro de Ester, neste caso propriedade da Ordem Beneditina das Freiras de Tyburn, em Londres. 



    A Ordem das Freiras de Tyburn, cujo nome oficial é Adorers of Sacred Heart of Jesus of Montmartre, é assim conhecida devido ao local onde se encontra o convento, que se situa junto ao sítio Tyburn Gallows, onde foram executados 150 mártires católicos, durante a Reforma. E é neste detalhe que a nossa atenção se prende: a rotura com a Igreja de Roma, a Reforma da Igreja Anglicana e os muitos mártires de ambos os lados na Inglaterra do século XVI. 



Henrique VIII (1491-1547)


   Em 1509 Henrique VIII, segundo rei da dinastia Tudor, sobe ao trono de Inglaterra. Pouco antes da sua coroação, Henrique casa com Catarina de Aragão, filha dos Reis Católicos. Para levar a cabo tal matrimónio, Henrique obtém uma dispensa papal, já que Catarina era viúva do seu irmão mais velho, Artur. Do casamento nascem seis filhos, mas apenas a princesa Maria sobrevive.

     Em 1526 o rei pretende anular o casamento com Catarina, que não lhe tinha dado um filho varão. O Papa recusa-se a decretar a anulação do casamento e Henrique, vendo as suas pretensões frustradas, decide separar-se da Igreja Católica.



Catarina de Aragão, Michael Sittow (c.1469-1525)


    O Parlamento adopta uma posição contra o Papa e o clero. O rei nomeia lorde-chanceler Thomas Cromwel, verdadeiro promotor da Reforma inglesa. O novo arcebispo da Cantuária, Thomas Cranmer, anula o matrimónio de Henrique com Catarina. O Papa excomunga o rei. Em Novembro de 1532, Henrique casa secretamente com Ana Bolena, de quem teve uma filha, Isabel.

     Em Abril de 1534 o Parlamento aceita o Act of Supremacy e o rei é declarado chefe da Igreja inglesa. Por meio do Act of Sucession, Henrique exclui da sucessão ao trono Maria, filha de Catarina, e reconhece como única herdeira Isabel, filha de Ana.


Thomas More, Hans Holbein, o Jovem, 1527


     O bispo Flisher e o chanceler Thomas More, que se recusam a prestar juramento a estes dois Actos, são executados em 1535. Henrique serve-se da sua qualidade de chefe da Igreja e encerra mais de três mil mosteiros, cujos bens confisca em nome da coroa. A medida conduz a uma rebelião que é conhecida por Pilgrimage of Grace. Os distúrbios foram violentamente reprimidos.

     Henrique VIII foi um soberano enérgico, criando um Estado eficiente. Apesar das medidas restritivas, não proibiu o culto católico. Ávido de poder, perseguiu os seus desígnios pessoais sem escrúpulos aparentes. Foi também um excelente músico e compositor. É de sua autoria uma das mais populares cantigas inglesas do século XVI – Pastime with good company, composta ainda Henrique era príncipe. Pastime with good company exalta as virtudes de uma vida despreocupada, da caça, da música e da dança, sempre em boa companhia.



  THE KING'S SINGERS Henry VIII - Pastime with good company


Pastime with good company/I love, and shall until I die
Grutch who lust, but none deny/So God be pleased, thus live will I

For my pastance/Hunt, sing and dance
My heart is set;/All goodly sport
For my confort/Who shall meet that
(…)



O príncipe Eduardo em 1539, Hans Holbein, o Jovem


     Em 1536 morre Catarina. Ana Bolena é condenada e executada por suposta infidelidade. Henrique casa-se com Jane Seymour que, finalmente, lhe dá um filho varão, Eduardo. Isabel (filha de Ana Bolena) é declarada ilegítima, sendo excluída da sucessão ao trono. Jane Seymour morre em 1537.

     Cromwell negoceia o quarto casamento do rei, com a princesa Ana de Clèves (1540). Contudo, esta desagrada tanto ao monarca, que poucos meses depois ele quer divorciar-se. Em consequência, Cromwell cai em desgraça. É executado no dia da boda de Henrique com Catarina Howard, que por sua vez será executada quinze meses depois. O rei virá a casar ainda uma sexta vez, com Catarina Parr. Henrique morre em 1547, sucedendo-lhe seu filho Eduardo (VI), com nove anos de idade.



Maria Tudor, rainha de Inglaterra, Antonio Moro, 1554


     Eduardo VI (1537-1553) foi o primeiro rei inglês educado como protestante. Durante o seu curto reinado o país foi governado por um Conselho Régio, já que Eduardo nunca atingiu a maioridade. Em Fevereiro de 1553 adoece gravemente e, numa tentativa de evitar que Inglaterra regresse ao Catolicismo, nomeia sua prima Joana Grey sucessora ao trono. Entretanto, poucos dias após a sua morte, Joana é deposta por Maria.

     Maria Tudor foi rainha de Inglaterra e da Irlanda entre 1553 e 1558. É recordada por ter tentado restaurar o Catolicismo em Inglaterra. Durante o seu reinado condenou à morte na fogueira 283 protestantes, o que lhe valeu a alcunha Blody Mary



Isabel I de Inglaterra por Marcus Gheeraerts, c. 1585-1590


     Com a morte de Maria Tudor, sobe ao trono a sua meia-irmã Isabel. Isabel I reina de 1558 até 1603. Retoma a Reforma da Igreja Anglicana, devolvendo a Inglaterra ao Protestantismo. Consegue restabelecer a paz doméstica, desenvolve a economia e protege as artes e as humanidades. É no seu reinado que Inglaterra dá ao mundo um dos maiores poetas e dramaturgos de sempre: William Shakespeare (1564-1616).


Os Mártires

     A história dos mártires protestantes no reinado de Maria Tudor é contada com ênfase em The Book of Martyrs de John Foxe. A obra teve uma grande influência na opinião pública inglesa, dando suporte legal à opressão dos católicos até ao século XIX.



Execução de Hugh Latimer e de Nicholas Ridley,
John Foxe’s Book of Martyrs (1563).



Execução de Thomas Cranmer, John Foxe’s Book of Martyrs (1563)


     Em Theatrum Crudelitatum, publicada em 1583, o católico Richard Verstegan, editor, antiquário e ourives inglês de origem holandesa, descreve os martírios que os católicos sofreram às mãos dos protestantes, no reinado de Isabel I.



Persecutiones adversus Catholicos à Protestantibus Caluinistis excitae in Anglia


     Verstegan acabaria por fugir de Inglaterra, estabelecendo-se em Antuérpia, onde publicou em 1587 uma versão definitiva de Theatrum Crudelitatum.










    Infelizmente, muitos poemas, muitas histórias e dramas ao longo da História foram utilizados para fomentar o ódio e a superioridade moral. Na obra de Shakespeare, todo o extremismo, toda a forma de fanatismo acaba, mais tarde ou mais cedo, em tragédia ou em comédia. É uma boa lição. Terminamos este artigo com um trecho do Soneto 8 de Shakespeare, em que o poeta compara a imagem da família – “sire, child and happy mother” -, a uma doce harmonia de sons, seguido da música do seu contemporâneo William Byrd.



The Carman’s Whistle by William Byrd


Mark how one string, sweet husband to another,
Strikes each in each by mutual ordering,
Resembling sire and child and happy mother,
Who, all in one, one pleasing note to sing.

(excerto do Soneto 8 de Shakespeare)



Nota: Thomas More (1478-1535), considerado um dos grandes humanistas do Renascimento, foi canonizado como santo da Igreja Católica em 1935. Foi jurista, diplomata, escritor, tendo ocupado o cargo de Lorde Chanceler de Henrique VIII, entre 1529 e 1532.


Este artigo foi elaborado e enviado por Sónia Craveiro.



Muito obrigada por esta partilha. J




Fontes:


HISTÓRIA UNIVERSAL COMPARADA, vol. VI, Círculo de Leitores, 1985
http://www.luminarium.org/renlit/henry8face4.htm
http://www.jewishpress.com/news/what-do-catholic-nuns-care-about-the-book-of-esther/2014/03/11/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_More
http://www.bl.uk/onlinegallery/onlineex/henryviii/musspowor/pastime/index.html
http://home.earthlink.net/~elisale/
http://www.tudorplace.com.ar/index.htm
http://hoocher.com/Portraits_of_Elizabeth_I_of_England/Portraiture_of_Elizabeth_I_of_England.htm
http://www.encyclopedia.com/topic/Elizabeth_I.aspx
http://www.shakespeare-online.com/sonnets/8.html
http://www.bl.uk/learning/timeline/item126927.html
http://bibliodyssey.blogspot.com/2009/11/theatre-of-cruelty.html

segunda-feira, 17 de março de 2014

sábado, 8 de março de 2014

Shalom!


Shavua Tov!

Pintura de Voskanyan Martin

Parte II - Escola de Tradutores de Toledo




“Cantigas de Santa Maria”

Cristãos, mouros e judeus nas Cantigas de Afonso X, o Sábio



Afonso X com a sua corte musical, ilustração do códice CSM


     Em artigo anterior dedicado à Escola de Tradutores de Toledo, abordámos as Cantigas de Santa Maria, essa extraordinária compilação poético-musical em louvor da Virgem Maria elaborada sob a orientação de Afonso X, o Sábio (1221-1284). Nas Cantigas a Virgem é piedosa, intercedendo a favor dos aflitos por meio de soluções milagrosas, perfeitamente credíveis para as mentalidades do século XIII. Por exemplo, o caso do pintor de uma igreja que preparava uma bela imagem da Virgem, e outra muito feia do diabo. Este, ofendido por ser representado de forma pouco elogiosa, sacode os andaimes onde o pintor trabalha, para o fazer cair. Milagrosamente, o pincel com que pintava a Virgem e o Menino agarra-se à imagem destes, e o pintor, agarrado pelo pincel, não cai. 



Cantiga 74 - Como Santa Maria guareceu o pintor que o demo quisera 
matar porque o pintava feo.


     Outro milagre envolvendo o demónio é o da Cantiga 47. Nesta Cantiga, com melodia tratada em modo de dança oriental, o argumento do texto diz como Santa Maria defende um monge embriagado, que vai à igreja, onde sofre ataques do demónio que lhe aparece em forma de touro, de gañan – homem negro e peludo -, e de leão. Vamos ouvi-la: 



Cantiga 47 "Virgen Santa Maria, guarda-nos, se te praz"

Esta é como Santa Maria guardou o monge,
que o demo quis espantar por lo fazer perder.


     Feita esta introdução ao enquadramento das Cantigas na sua época – a Idade Média, um período da história da civilização ocidental, em que as mentalidades eram dominadas por uma profunda crença no divino, mas também pela superstição, vamos tentar mostrar como elas representam mouros e judeus, numa sociedade regulada pela Igreja. 


Mouros e Judeus nas “Cantigas de Santa Maria”


Painel 3 (detalhe) da Cantiga 46


     É sabido que Afonso X dispunha na sua corte de intelectuais e artistas de diferentes orientações religiosas e culturais – cristãos, muçulmanos e judeus. Como seria de esperar numa sociedade medieval, as minorias, neste caso mouros e judeus, eram toleradas, embora num regime de excepção, portanto sem os mesmos direitos dos cristãos. Esta circunstância tem influência na forma como os três grupos são retratados nas Cantigas.

     Um aspecto problemático do corpo de milagres é o forte anti-semitismo de alguns deles. Em certas Cantigas, as representações estereotipadas de judeus com feições grosseiras e narizes aduncos, cometendo toda a espécie de crimes contra cristãos, se bem que sejam um reflexo das leis civis e canónicas vigentes na época, não deixam por isso de ser virulentas. 



Cantiga 25 (detalhe)


      O judeu aqui representado segue o modelo do “judeu usurário”, que empresta dinheiro a um bom cristão, que por sua vez tinha gasto toda a sua fortuna em acções de caridade. 




    Nesta iluminura o judeu está representado como o assassino de Cristo. A crença no judeu deicida, que de certa forma legitimou todo o tipo de perseguições movidas contra o Povo Judeu, resultou em inúmeros massacres como o descrito na Cantiga 12. 



Cantiga 12 – Painel 6 - Os judeus são mortos


     A Cantiga 12 conta-nos a seguinte história: em Toledo, na festa da Assunção de Maria, o arcebispo dizia missa. Repentinamente ouve-se a voz de uma mulher que acusa os judeus de terem assassinado Cristo, acrescentando que continuavam a antagonizá-lo. Depois da missa, o arcebispo conta ao povo o que a voz tinha dito. Então, a multidão dirige-se à judiaria e descobre alguns judeus que cuspiam numa imagem de cera de Cristo, tendo já preparada uma cruz onde tencionavam pendurar a dita imagem. Os judeus foram mortos. 



Cantiga 12 "O que a Santa Maria mais despraz"

O que a Santa Maria mais despraz
é de quen ao seu Fillo faz



Cantiga 187 (detalhe)


     Na imagem anterior podemos observar Nasrid, o emir de Granada, abraçando o seu aliado cristão. Com efeito, no processo da Reconquista do século XIII, a dinastia Nasrid aliou-se frequentemente aos cristãos, contra o poder dos almóadas. Talvez por esta razão, o tratamento que nas Cantigas é dispensado aos mouros, apesar de serem representados como antagonistas religiosos, seja bem mais benévolo, comparativamente ao dispensado aos judeus. 



Cantiga 181 – Painel 4


     A Cantiga 181 descreve o milagre em que a Virgem apoia o exército de Marrocos, contra outro exército muçulmano invasor. O rei de Marrocos é aconselhado a pedir aos cristãos da cidade um estandarte com a imagem da Virgem, para acompanhar as suas tropas. A vitória é decisiva - “Pero que seja gente d’outra lei descreuda, os que a Virgen mais aman, a esses ela ajuda.”



Esta é como Aboyuçaf foy desbaratado en Marrocos 
pela sina de Santa Maria





Notas:

As Cantigas de Santa Maria constituem a obra lírica mais importante da Espanha Medieval. Os seus 420 poemas são escritos em galaico-português, com a correspondente notação musical e iluminuras que acompanham o texto.

O Emirato de Granada Reino nazarí de Granada -, nasceu em 1238, fruto de uma aliança entre Fernando III de Castela e Mohamed I ibn Nasir, criando um reino tributário, subordinado à Coroa de Castela. Granada pagou tributo aos reis de Castela durante cerca de 250 anos, até à sua conquista por Fernando e Isabel, em 1492. 


Este artigo foi elaborado e oferecido por Sónia Craveiro


Muito obrigada por tão interessante artigo.


Fontes: